jeudi 12 janvier 2017

AS 21 PERGUNTAS MAIS FREQUENTES


Esta é uma selecção de perguntas sobre o cancro elabora a partir das mensagens recebidas através do Twitter, Facebook e blogues. Escolhi as 21 perguntas mais frequentes.

1. O cancro é uma doença ou são muitas? Continuam a aparecer novos tipos?
Na verdade, são cerca de 200 doenças, que têm coisas em comum, mas também têm muitas diferenças. Julgamos que já descobrimos a maior parte deles, embora, à medida que vamos conhecendo os detalhes genéticos, possamos subdividi-los com mais cuidado. Isso não quer dizer que não seja possível encontrar mais.


2. Um tumor é o mesmo que um cancro?

Não exactamente. Os tumores malignos são cancros mas os tumores benignos não. E nem todos os cancros são tumores: as leucemias, por exemplo, são um aumento de células no sangue.

3. O cancro dá-se em todas as espécies animais ou só nos mamíferos?
Os animais também têm cancro, e não são só os mamíferos; encontrámo-lo em peixes e até em dinossauros. E em plantas também. Parece que a maioria dos seres vivos formados por mais de uma célula pode ser susceptível de sofrê-lo. As bases de todos estes cancros são parecidas, mas apresentam-se de formas diferentes em cada organismo.

4. Porque é que quando se cura de um cancro pode ser que este volte, embora lhe tenham dito que o tratamento "correu bem" e que "limparam tudo"?
Uma só célula maligna é capaz de se multiplicar até provocar um cancro. Os tratamentos de que dispomos nem sempre conseguem eliminá-las todas, por isso, anos depois, o cancro pode voltar, já que basta que tenha ficado uma delas para o processo começar de novo.

5. O cancro em crianças tem melhor ou pior prognóstico do que nos adultos?
Melhor. 75% dos casos infantis e juvenis curam-se, e 75% das mortes por cancro verificam-se a partir dos 65 anos.

6. Se o cancro da mama tem uma parte de risco que se deve à herança genética, quantas gerações devem passar para quebrar este "malefício"?
Ainda não conhecemos os factores que determinam a predisposição genética para sofrer de um cancro da mama, excepto alguns casos de síndromes hereditárias. Portanto, é difícil prever que padrão segue e como passará para os filhos. Dependerá de quantos genes estejam implicados, em que cromossomas estejam, etc.

7. Como é possível que um cancro se apresente de forma tão repentina? Por exemplo, numa pessoa que até uma semana antes não tinha qualquer problema nem incómodo. E que já seja demasiado tarde para fazer alguma coisa.
O cancro demora anos a evoluir, não aprece da noite para o dia. O que acontece nestes casos é que, devido à sua localização, o cancro foi crescendo e tornando-se agressivo sem que interferisse com a saúde. Portanto, ninguém se tinha dado conta de que estava ali. Quando dá o primeiro sinal, já está em fases muito avançadas, por isso, as opções de tratamento são muito reduzidas.

8. Nos casos em que parece haver uma certa predisposição familiar, deve-se fazer algum tipo de actuação preventiva?
A mesma que se faria se não tivessem antecedentes, e sobretudo, não fumar, controlar o peso e fazer exercício. Mas é especialmente importante fazer revisões periódicas.

9. Porque é que há pessoas que fumam e não têm cancro do pulmão?
Porque num cancro, além dos elementos tóxicos que o podem causar, as defesas de célula e do corpo e a sorte também têm um papel importante. Fumar aumenta muitíssimo a probabilidade de sofrer de um cancro, mas isso não quer dizer que todos os fumadores tenham um.

10. Algumas teorias relacionam o sofrimento, a angústia ou a ansiedade com diferentes tipos de cancro, e até o carácter, a personalidade, etc. O que há de verdade em tudo isto?
Existe uma relação entre stress e cancro, mas não é de causa-efeito. O cancro aparece porque os genes se alteram, portanto precisamos de um desencadeador capaz de danificar o ADN. Sabe-se que o stress pode contribuir para o seu desenvolvimento.

11. Uma vez conheci um caso de uma mulher que tinha extirpado as mamas antes que se formasse um cancro, já que a maioria da sua família tinha sofrido de um, isto pode realmente evitar o cancro?
Sim. Este é um exemplo das síndromes hereditárias. Estas pessoas herdam um defeito conhecido num gene e têm quase 100% de possibilidades de sofrer de um cancro em jovens. Por isso, intervenções radicais como estas podem ser úteis. Isso não se deve confundir com a possível predisposição familiar, que significa apenas um certo aumento do risco, não a certeza de ter cancro. Nestes casos não se recomenda ser tão drástico.  

12. Se lhe encontram infecção pelo vírus do papiloma humano (VPH), há alguma maneira de prevenir o cancro do colo do útero ou só pode ir fazendo revisões anuais?
Uma grande parte das mulheres sexualmente activas sofreram Infecções pelo VPH ( acredita-se que 80%) mas apenas um número reduzido, menos de 1%, desenvolverá um tumor maligno. Ainda não se sabe que factores o determinam. De facto, 90% das Infecções resolvem-se sozinhas em menos de 2 anos e não trarão problemas, ou seja, encontrar o vírus num exame não é uma garantia de que se acabará por ter o cancro. Nestes casos, o que se deve fazer é continuar com as revisões, porque se as células malignas acabarem por aparecer, pode-se actuar a tempo. O cancro do colo do útero evolui normalmente de forma lenta, ou seja, com revisões espaçadas é suficiente. 


13. As análises para detectar o cancro são 100% seguras? 

Não. Todas dão falsos positivos (dizem que tem um cancro e não é verdade) e falsos negativos (não detectam o cancro quando há um). No entanto, as que usamos regularmente são bastante boas e têm uma percentagem de falsos positivos e negativos muito baixa. Mas ainda não existe a prova perfeita. Por isso, se podemos, usamos mais de uma quando procuramos cancros, e assim reduzimos os erros. Infelizmente, há muitos cancros para os quais não temos ´marcadores´, ou seja, coisas que possamos medir que nos avisem da sua presença em estádios iniciais. 


14. Porque a mim?

Esta é certamente a pergunta que a maioria das pessoas que têm cancro se coloca. A razão é a combinação da herança genética, dos factores tóxicos do meio e do azar. Mas o mais importante é recordar que o cancro não representa automaticamente uma sentença de morte, porque temos muitas ferramentas para o enfrentar, e ainda estamos a descobrir novas. 


15. Quantos cancros se curam hoje em dia?

Depende do tipo. Do testículo, praticamente todos. Do pâncreas, quase nenhum. Da mama, uma imensa maioria. Do pulmão, poucos. Se considerarmos a média de todos, podemos dizer que se curam mais ou menos metade.

16. A alimentação pode influenciar o risco de sofrer de cancro? 
Há alimentos que ajudam a preveni-lo?
A alimentação influencia em muitos níveis. A obesidade é um factor de risco do cancro e uma alimentação equilibrada pode evitá-lo. O álcool é uma substância cancerígena que, com frequência, faz parte dos nossos hábitos diários. E, por fim, julga-se que uma alimentação rica em legumes e frutas e baixa em carne e alimentos processados contribui para diminuir o risco. Além destas mudanças na alimentação, não se verificou que tomar nenhum alimento concreto reduza o risco. É verdade que há experiências laboratoriais que encontraram substâncias em alguns produtos que matam as células malignas, mas ainda temos de investigar mais para saber como se podem aplicar estes resultados à prevenção.

17. Se um cancro tem origem infecciosa, pode contagiar-se? Por exemplo, o sangue de alguém que tem leucemia pode ´infectar´outra pessoa?
Em princípio, não. Nunca se verificou que alguém apanhe um cancro ´infectando-se´por outra pessoa. Mas se, por exemplo, alguém desenvolveu um cancro do fígado devido a uma hepatite crónica e a infecção ainda lhe dura, logicamente pode passar a hepatite a outra pessoa. Isso não quer dizer que esta segunda pessoa acaba necessariamente por ter um cancro ao longo dos anos: há outros factores que intervêm. Por outro lado, conhece-se o caso de um cancro contagioso que afecta os diabos-da-tasmânia, um marsupial que vive na Austrália. Origina tumores malignos no focinho e transmite-se por contacto. Devido a este cancro, a população de diabos-da-tasmânia diminuiu perigosamente. Nos humanos ainda não se viu nada parecido. 


18. A quimioterapia é realmente efectiva ou é melhor utilizar radioterapia se os tumores estão localizados?

A quimioterapia e a radioterapia têm princípios e efeitos semelhantes e recomenda-se a utilização de uma ou de outra segundo o tipo de cancro e o quão avançado estiver. Se o tumor está localizado, a cirurgia é uma opção muito útil, mais do que a quimioterapia. Se o tumor é bastante pequeno, a radioterapia pode ter efeitos semelhantes à cirurgia. 


19. Para que pessoas seria recomendável fazerem uma análise dos genes para determinarem o risco de sofrer de cancro?

Este tipo de exames não são recomendáveis para a população em geral por agora, porque as variantes genéticas que conhecemos que estão associadas a um maior risco de sofrer de cancro são, de momento, poucas e estão mal definidas. Além do mais, a maior parte do risco de sofrer de um cancro é determinada pelo meio, não pelos genes, por isso, estas análises de predisposição não nos dizem grande coisa. Por outro lado, há famílias que têm síndromes hereditárias relacionadas com o cancro devido à mutação de um gene concreto. Estas pessoas deveriam mesmo fazer um estudo genético e um plano de prevenção especial.


20. É verdade que existem remissões espontâneas de cancros?

Verificam-se algumas remissões espontâneas, em casos extremamente raros, e não se sabe porquê. Talvez o cancro fosse pouco agressivo e o sistema imunitário conseguisse finalmente vencê-lo. Deve-se diferenciar das vezes que foi feito um diagnostico erróneo e a pessoa não tinha, na realidade, cancro, pois isso também acontece. 


21. Uma grávida pode passar um cancro ao seu filho?

É extremamente raro, mas verificaram-se alguns casos (desde 1866, há apenas 17 documentos). Nos primeiros 16 era apenas uma suspeita, mas no último, publicado em 2009, pôde-se comprovar com testes genéticos que uma célula cancerosa da mãe tinha superado as defesas do feto, que em princípio a deveriam destruir. Neste caso, a mãe não sabia que estava doente durante a gravidez: diagnosticaram-lhe uma leucemia 1 mês após o nascimento, e morreu pouco tempo depois. A criança desenvolveu um tumor aos 11 meses, mas parece que a cura foi total.


Revista: Vida & Saúde natural

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